Não faz tanto tempo, vender pela internet no Paraguai terminava quase sempre na mesma pergunta incômoda: "você tem cartão de crédito?". Hoje essa pergunta quase não se faz, porque quem respondeu foi o próprio comprador. Quando paga uma compra online numa loja paraguaia, o mais provável é que use um código QR, pelo aplicativo do banco ou da carteira digital.
Os números de 2026
No fim de julho, a Câmara Paraguaia de Comércio Eletrônico (CAPACE), a Bancard, a Dinelco e a Fenicio apresentaram o relatório «Panorama y Tendencias de Pago en el E-commerce de Paraguay». Estes são os dados principais, cada um com quem o mediu:
- O tamanho do mercado: o comércio eletrônico paraguaio passou de US$ 2 bilhões em 2025 e caminha para US$ 3 bilhões, segundo a CAPACE.
- O QR: segundo a Bancard, 52% das operações de comércio eletrônico são pagas com QR. Olhando só as lojas paraguaias, a proporção sobe para 85%.
- O ritmo: no primeiro semestre de 2026 a quantidade de transações de comércio eletrônico dobrou em relação ao mesmo período de 2025, e as lojas que aceitam QR para vender online cresceram 500% em três anos, também segundo a Bancard.
- Onde as pessoas compram: 47% das compras online já são feitas em lojas paraguaias, e 92% dos consumidores digitais compram de lojas nacionais (CAPACE).
Os dois últimos dados parecem se contradizer, mas medem coisas diferentes: quase todos os que compram pela internet compram alguma vez de uma loja local e, mesmo assim, mais da metade do que se compra online ainda vai para lojas de fora. É esse espaço que as lojas daqui podem ganhar. Os números foram publicados pelo ABC Color e pelo Última Hora.
Por que o QR ganhou
O QR não precisa de cartão de crédito nem de digitar dezesseis números num formulário. Paga-se pelo aplicativo que a pessoa já usa todo dia para transferir, com o dinheiro que tem na conta. Para quem compra, é o mesmo gesto do supermercado ou da mercearia. Para quem vende, o dinheiro entra na hora.
Por trás há uma infraestrutura pública que o Banco Central do Paraguai (BCP) vem ampliando. O Sistema de Pagamentos Instantâneos, em funcionamento desde 2023, já concentrava em novembro de 2025 97,2% das operações do sistema de pagamentos do país, segundo o próprio BCP. Em março de 2026, o BCP também elevou o limite por operação de ₲ 5 milhões para ₲ 10 milhões, disponível 24 horas por dia, todos os dias (Resolução N° 2, Ata N° 12, de 12 de março de 2026).
O que vem por aí: um QR que se paga de qualquer banco
Em abril, o BCP apresentou o SIP, a nova marca do Sistema de Pagamentos do Paraguai, e anunciou o QR Hub: uma plataforma para que um código QR de qualquer banco ou carteira possa ser pago pelo aplicativo de qualquer outra instituição. Depois dos testes de junho, no fim de julho alguns bancos começaram a oferecer o QR interoperável para transferências entre pessoas, e a chegada ao restante do sistema é progressiva.
Para uma loja, a interoperabilidade importa por um motivo simples: a ideia é que o cliente não precise conferir de qual rede é o QR antes de pagar. Quanto menos passos entre "eu quero" e "já paguei", menos compras se perdem no caminho.
O que isso significa para a sua loja virtual
Se o seu site aceita só cartão de crédito, ou só PayPal, está fechando a porta para o meio de pagamento que 85 de cada 100 compradores de lojas paraguaias usam. Não é preciso mudar tudo: é preciso que o QR esteja lá, e bem colocado.
1. Que o cliente saiba desde o início que pode pagar com QR
O meio de pagamento é uma das dúvidas que mais fazem uma compra ser abandonada. Se ele só aparece no último passo, muita gente já foi embora antes de ver. Vale avisar na página de cada produto ou no rodapé: "Pague com QR, transferência ou cartão".
2. Escolher como cobrar
Há dois caminhos. O mais completo é um gateway de pagamento local que gere um QR para cada pedido e confirme o pagamento sozinho: pedido e cobrança ficam ligados, e ninguém precisa conferir comprovantes. O mais simples, para quem vende pouco, é mostrar um QR fixo ou um alias e pedir o comprovante pelo WhatsApp. Funciona, mas cada venda precisa de alguém conferindo o pagamento à mão. As opções locais estão explicadas em como integrar pagamentos digitais paraguaios numa loja virtual.
3. Pensar em quem compra pelo celular
É o erro mais comum e o mais fácil de passar despercebido: se o cliente está comprando pelo celular, não consegue escanear um QR que aparece na própria tela. A página precisa oferecer uma saída no mesmo passo: abrir direto o aplicativo de pagamento quando o gateway permite, copiar o alias ou baixar a imagem do QR para carregá-la da galeria do telefone, se o aplicativo dele permitir.
4. Confirmar e emitir a nota sem demora
Com o QR o dinheiro entra na hora, e o cliente espera a mesma velocidade do outro lado: a confirmação imediata do pedido e, quando couber, a nota fiscal. Se o seu negócio já foi designado como emissor eletrônico, a nota precisa sair pelo sistema da DNIT; as datas de cada grupo estão no nosso guia de nota fiscal eletrônica.
O cartão não desaparece
O QR soma, não substitui. Há compradores que preferem o cartão de crédito para compras grandes ou parceladas, e clientes do exterior que não têm conta em banco paraguaio. O que mudou foi a ordem: antes o QR era a alternativa e hoje, nas lojas locais, é o principal. E como cada meio tem seu custo, vale saber também quanto custa receber com cartão no Paraguai.
É assim que pensamos na KapeDev
Quando montamos uma loja virtual para um negócio paraguaio, o meio de pagamento não se decide no final: se decide no começo, porque define como o carrinho é montado, o que o cliente vê no celular e quanto trabalho manual sobra para o negócio depois de cada venda. Se você está para vender online, ou já vende e sente que perde compras no último passo, comece por aí.
Perguntas frequentes
Posso receber com QR no meu site?
Sim. O mais completo é um gateway de pagamento local que gere um QR para cada pedido e confirme o pagamento automaticamente. Se você vende pouco, também funciona mostrar um QR fixo ou um alias e confirmar o comprovante pelo WhatsApp, embora cada venda precise de uma conferência manual.
O que é o QR interoperável do Banco Central?
Faz parte do SIP, o sistema de pagamentos do BCP: a ideia é que um QR de qualquer banco ou carteira possa ser pago pelo aplicativo de qualquer outra instituição. Em julho de 2026 alguns bancos começaram a oferecê-lo para transferências entre pessoas, e a chegada ao restante do sistema é progressiva.
E se o cliente comprar pelo celular?
Ele não consegue escanear um QR que está na própria tela. A página precisa oferecer outra saída no mesmo passo: abrir o aplicativo de pagamento, copiar o alias ou baixar a imagem do QR para carregá-la da galeria.
Preciso deixar de aceitar cartão?
Não. O QR soma ao cartão: há compras grandes, parceladas ou de clientes do exterior que continuam precisando de cartão de crédito.
Preciso de nota fiscal eletrônica para vender online?
Depende de a DNIT já ter designado o seu negócio como emissor eletrônico. As datas de cada grupo estão no nosso guia de nota fiscal eletrônica e em dnit.gov.py.
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