É fim de mês e, numa casa do departamento Central, é hora de decidir o que entra no orçamento. Desta vez entra a consulta no dentista que a mãe vem adiando. Antes de sair, ela pega o celular: procura um consultório perto, vê quanto cobram, se aceitam pagamento por QR, em que horário atendem. O primeiro que aparece diz «consulte o preço». O segundo mostra quanto custa a primeira consulta, o endereço no mapa e um botão de WhatsApp. Ela manda mensagem para o segundo.
Chamamos isso de a compra pensada: antes de gastar, as pessoas comparam, querem saber o total e escolhem quem passa segurança. Não é um grupo de clientes. É como quase todo mundo decide quando a economia melhora nos números, mas não no ânimo. Os dados oficiais de 2025 e 2026 ajudam a entender por quê.
O que o INE mediu
Em março de 2026, o Instituto Nacional de Estatística do Paraguai publicou os resultados de pobreza monetária de 2025, com dados da Pesquisa Permanente de Domicílios Contínua (EPHC). A pobreza total caiu de 19,6 % em 2024 para 16,0 % em 2025: 3,6 pontos em um ano.
Em número de pessoas, segundo o documento técnico do INE, a população em situação de pobreza passou de 1.198.290 para 985.126. São mais de 210 mil pessoas a menos em situação de pobreza, pela nossa conta com os números do INE. Não é ruído da pesquisa: as margens de erro dos dois anos não se sobrepõem. A pobreza extrema, a de quem não cobre nem a cesta de alimentos, caiu de 3,7 % para 2,4 %.

A queda vem de antes. Em 2022, a pobreza total era de 24,5 %: quase 1,5 milhão de pessoas. Desde então, quase meio milhão de pessoas saíram dessa situação (cálculo nosso).
O que é a linha de pobreza
Para o INE, uma pessoa está em situação de pobreza se vive num domicílio cuja renda por pessoa não cobre a cesta básica de consumo: alimentos mais outros gastos básicos. Em 2025, essa cesta custou Gs. 933.108 por pessoa por mês nas cidades e Gs. 681.839 no campo, 4,0 % e 4,2 % a mais que em 2024. A cesta de alimentos sozinha subiu 5,3 %.
Para um domicílio urbano de quatro pessoas, a linha fica em cerca de Gs. 3,73 milhões por mês (a conta é nossa: quatro vezes o valor por pessoa). É uma linha para medir, não uma descrição de como vive cada família: ficar acima dela não significa que o orçamento deixe de ser apertado.
Dois cuidados antes de citar esses números
- É uma série ajustada. O INE recalculou os anos de 2022 a 2025 com as projeções de população do Censo 2022 e com uma nova forma de calcular o valor da merenda escolar. Na série publicada antes, 2024 dava 20,1 %. Se você comparar com notícias antigas, a queda parece maior. A comparação correta é 19,6 % contra 16,0 %.
- Não é o país inteiro. A pesquisa cobre 15 departamentos e Assunção. Não inclui Boquerón nem Alto Paraguay. Também ficam de fora as comunidades indígenas e as moradias coletivas.
A renda do domicílio, sem médias enganosas
O mesmo documento traz outro dado muito citado: em 2025, um domicílio paraguaio teve uma renda familiar disponível média de cerca de Gs. 6.864.000 por mês. É uma média: as rendas mais altas puxam o número para cima. Se os domicílios forem ordenados pela renda por pessoa e divididos em cinco grupos iguais, o quadro muda.
| Grupo de domicílios | Renda familiar média por mês | Parte que vem do trabalho |
|---|---|---|
| Os 20 % com menor renda | Gs. 2.296.000 | 74,0 % |
| O segundo grupo de 20 % | Gs. 3.680.000 | 83,4 % |
| Os 20 % do meio | Gs. 5.032.000 | 86,1 % |
| O quarto grupo de 20 % | Gs. 6.724.000 | 88,6 % |
| Os 20 % com maior renda | Gs. 13.155.000 | 83,1 % |
| Média do país | Gs. 6.864.000 | 84,2 % |
Fonte: INE, EPHC 2025, quadros 4 e 5.
Três coisas que a tabela mostra:
- Os domicílios do grupo do meio ganham em média cerca de Gs. 5 milhões por mês, não quase 7. Quatro dos cinco grupos ficam abaixo da média do país.
- Os 20 % de domicílios com maior renda ganham quase seis vezes o que ganham os 20 % com menor renda. Com uma distância dessas, a média do país diz pouco sobre o orçamento de um domicílio típico.
- 84,2 % da renda vem do trabalho. No grupo com menor renda, esse peso cai para 74,0 %, e pesam mais a ajuda de familiares no país (5,7 %), o programa Adulto Mayor, para idosos (5,6 %), ou a merenda escolar (5,2 %). Para a maioria dos domicílios, a renda depende de o trabalho continuar.
A pobreza, departamento por departamento

A pobreza não é igual em todo lugar. Em 2025, vai de 6,0 % em Assunção e 9,9 % em Central a 15,1 % em Alto Paraná, 22,3 % em Itapúa e 28,7 % em Concepción. Em número de pessoas, a ordem muda: Central tem cerca de 198 mil pessoas em situação de pobreza e Alto Paraná, cerca de 118 mil.
Dois cuidados ao ler o mapa. Primeiro, a margem de erro: Concepción pode estar entre 21,6 % e 37,0 %. Segundo, o anexo do INE traz os departamentos desde 2022, mas a margem de erro só de 2025. Alto Paraná passou de 17,9 % em 2024 para 15,1 % em 2025. Central, de 12,3 % para 9,9 %. Com amostras pequenas em vários departamentos, é melhor não montar um ranking de onde a pobreza caiu mais.
2026: preços mais calmos, confiança mais baixa
Em 2026, houve três sinais que não apontam para o mesmo lado.
- Os preços se acalmaram. Segundo o Relatório de Inflação do Banco Central do Paraguai, a inflação em doze meses foi de 1,7 % em setembro de 2026, contra 4,3 % um ano antes. Os alimentos estão 1,0 % mais baratos que em setembro de 2025, quando subiam 9,8 %. Os serviços, por outro lado, sobem 4,1 %. Comer fora de casa, 10,2 %.
- O salário mínimo subiu. Desde 1º de julho de 2026, é de Gs. 3.044.000 por mês, após um reajuste de 5 % definido pelo Decreto 6225, segundo o Ministério do Trabalho do Paraguai. Vale para o emprego formal do setor privado.
- As pessoas se sentem pior. O Índice de Confiança do Consumidor do BCP, com dados do INE, caiu para 39,67 pontos em agosto de 2026, contra 50,73 um ano antes. Abaixo de 50 é pessimismo. Só 11 % dos entrevistados dizem que conseguem poupar, quando um ano antes eram 22,5 %. Apenas 5,5 % acham que é um bom momento para comprar eletrodomésticos.
Já falamos dessa distância entre os números e o que as pessoas sentem no artigo sobre a brecha do otimismo, com a confiança de julho. Em agosto, ela aumentou. É aqui que aparece a compra pensada: a renda de 2025 melhorou, mas muita gente não sente que essa melhora vá durar. Não deixa de comprar: pensa cada gasto.
Como é a compra pensada
Nenhuma pesquisa mede isso: é a nossa leitura dos números. Quando a renda melhora, mas a confiança não, quase qualquer pessoa compra de um jeito reconhecível.
- Testa antes de se comprometer. Primeiro uma consulta, um combo, o tamanho pequeno. Se der certo, volta.
- Quer saber o total antes de mandar mensagem. Perguntar leva tempo e nem sempre a resposta vem na hora. Se não vê o preço, passa para o próximo.
- Paga como já paga. Com QR, transferência ou dinheiro: não vai mudar a forma de pagar para comprar de você. Falamos disso nos artigos sobre o pagamento com QR e sobre inclusão financeira digital.
- Decide pela proximidade e pelo que os outros dizem. A avaliação de um vizinho pesa mais que um anúncio. Explicamos isso em quanto vale uma avaliação de cinco estrelas.
- Resolve tudo no celular. Busca, compara e manda mensagem pelo mesmo aparelho.
O que você pode fazer no seu negócio
1. Mostre o preço, ou pelo menos um «a partir de»
No site e no seu perfil do Google. Se os seus preços mudam com frequência, coloque uma faixa de preços com a data da última atualização. Um «a partir de Gs. …» já diz ao cliente se cabe no bolso, antes que ele precise perguntar.
2. Tenha uma opção de entrada
A primeira consulta, o combo pequeno, uma aula experimental, o serviço básico. É a porta para quem ainda não quer apostar alto. Se der certo, a próxima compra pode ser maior. Nas datas de promoção acontece o mesmo, como contamos no artigo sobre a vitrine prévia.
3. Diga o total, sem surpresas
Frete, instalação, acréscimo no cartão: se existe, que esteja escrito. Quando cada gasto é pensado, uma surpresa no final basta para não voltar. Aplicamos isso ao nosso ramo no artigo sobre o que o preço de um site inclui.
4. Formas de pagamento bem visíveis
Se você aceita QR, transferência ou pagamento na entrega, diga isso no site, no perfil do Google e na loja. É uma pergunta a menos. Se ainda recebe só em dinheiro, veja o que está mudando no artigo sobre o troco que sobra.
5. Endereço, horário e WhatsApp a um toque
Quem compara quer saber se fica perto e se vai ser atendido. Faça o endereço abrir o mapa. Mantenha o horário atualizado. Use um link de WhatsApp que já abra com a mensagem escrita: esse link você monta grátis com o nosso gerador de link do WhatsApp. E peça a quem já comprou de você que deixe uma avaliação no seu perfil do Google: quem compara também lê o que os outros dizem. Para ver quem aparece antes de você na sua região, teste o comparador do Google Maps (página em espanhol).
O que trava uma compra e o que convida a comprar
| O que trava | O que convida a entrar |
|---|---|
| «Consulte o preço» | Preço ou «a partir de», com data |
| Só pacotes grandes | Uma opção de entrada para testar |
| Custos que aparecem no final | O total escrito, com tudo incluído |
| «Aceita QR?» sem resposta | Formas de pagamento bem visíveis |
| Tudo por mensagem privada | Endereço, horário e WhatsApp a um toque |
| Sem opiniões de outros clientes | Avaliações recentes no seu perfil do Google |
| Um site lento no celular | Uma página leve, pensada para o celular |
Para ver como está o seu negócio nesses pontos, teste o diagnóstico digital grátis.
É assim que pensamos na KapeDev
A compra pensada não é de um grupo de clientes: é como quase todos nós decidimos quando os números melhoram, mas o ânimo não. Cada guarani é escolhido com cuidado, e com razão. O que um negócio pode fazer é não colocar obstáculos: mostrar o preço, oferecer uma porta de entrada, dizer como se paga e onde fica. Um site claro e rápido no celular ajuda nisso. Não prometemos vendas nem o primeiro lugar no Google. Trabalhamos para que o seu negócio seja fácil de encontrar e fácil de escolher.
Preços à mostra, os nossos também.Até 31 de outubro de 2026 ou enquanto houver vagas: landing page por Gs. 1.900.000, site corporativo por Gs. 3.300.000 ou loja online a partir de Gs. 5.500.000, com IVA incluído. Com nota fiscal eletrônica, Certificado de Garantia e hospedagem incluída, sem custo mensal, na landing page e no site corporativo.
Calcular o preço do meu site →Perguntas frequentes
O que a pobreza monetária do INE mede, exatamente?
Quantas pessoas vivem em domicílios cuja renda mensal por pessoa não cobre o custo da cesta básica de consumo, que soma alimentos e outros gastos básicos. Se a renda não cobre nem a cesta de alimentos, é pobreza extrema. Os dados vêm da Pesquisa Permanente de Domicílios Contínua, que cobre 15 departamentos e Assunção, sem Boquerón, Alto Paraguay, comunidades indígenas nem moradias coletivas. Mede renda, não outras carências, como o acesso a serviços.
Quanto custou a cesta básica no Paraguai em 2025?
Segundo o INE, a cesta básica de consumo custou Gs. 933.108 por pessoa por mês nas áreas urbanas e Gs. 681.839 nas rurais. A cesta de alimentos sozinha, que marca a pobreza extrema, custou Gs. 412.618 na cidade e Gs. 376.816 no campo. Para um domicílio urbano de quatro pessoas, a cesta básica soma cerca de Gs. 3,73 milhões por mês (cálculo nosso).
Qual é o salário mínimo no Paraguai desde julho de 2026?
Gs. 3.044.000 por mês desde 1º de julho de 2026, após um reajuste de 5 % definido pelo Decreto 6225, segundo o Ministério do Trabalho do Paraguai. A diária mínima é de Gs. 117.077. Vale para os trabalhadores formais do setor privado. Como referência, embora sejam anos diferentes: um único salário mínimo fica abaixo da cesta de 2025 de um domicílio urbano de quatro pessoas, que soma cerca de Gs. 3,73 milhões.
Se a pobreza caiu, por que as pessoas se sentem pior?
Porque são medições diferentes de momentos diferentes. A pobreza do INE mede a renda de 2025. O Índice de Confiança do Consumidor do BCP é uma pesquisa sobre como as pessoas se sentem hoje e o que esperam para os próximos doze meses: em agosto de 2026 marcou 39,67 pontos, na zona de pessimismo. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo: a renda de 2025 melhorou e, mesmo assim, muita gente não sente que essa melhora vá durar.
O que é a compra pensada?
É o nome que damos a um jeito de decidir que aparece quando a renda melhora, mas a confiança não: antes de gastar, as pessoas comparam, querem saber o total e escolhem quem passa segurança. Não é um grupo de clientes nem é medido por pesquisa: é a nossa leitura dos dados do INE e do BCP.
Vale a pena mostrar preços no site se os preços do meu ramo mudam com frequência?
Sim, com cuidado. Você pode mostrar um «a partir de», uma faixa ou o preço da opção de entrada, com a data da última atualização. O cliente sabe se cabe no bolso sem precisar perguntar, e você não fica preso a um número antigo. Se os seus preços mudam muito, vale ter no site uma seção que você consiga atualizar em minutos.
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